Lei do Retorno dá aos judeus o direito de se tornarem cidadãos israelenses. Governo oferece ainda aula de hebraico de graça e até ajuda financeira.

No Brasil, a crise econômica e a violência urbana têm provocado uma onda de migração de judeus brasileiros pra Israel.

A sensação de segurança dessa nova moradora de Ashdod é porque, fora do conflito entre israelenses e palestinos, ela nunca ouviu falar de violência urbana por lá. “Uma coisa é o que dizem, outra coisa é você estar aqui, vivendo no dia a dia, se sentindo segura. Aqui, ninguém chega pra te assaltar”, afirma a jornalista Fabie Spivack.

Outro motivo que fez a jornalista Fabie deixar o Brasil foi uma debandada nos clientes da assessoria de imprensa. “Comecei a ficar com menos trabalho até que chegou um ponto em que eu pensei: por que não Israel?”, conta.

As bandeiras de Israel e do Brasil só aparecem juntas no restaurante por que o dono, um israelense, se apaixonou pelo Brasil. Mas a imagem, agora, tem tudo a ver: jamais se viu em Israel uma imigração brasileira como agora.

No ano passado, 486 brasileiros passaram a ser também israelenses; 58% mais do que no ano anterior; e mais que o dobro de 2013.

Com o objetivo de aumentar a população judaica no país em conflito, há mais de 60 anos foi criada em Israel a chamada “Lei do Retorno”, que dá aos judeus nascidos em qualquer lugar do mundo o direito de se tornarem cidadãos israelenses no momento em que eles pisam no país.

A aula de hebraico é difícil, mas é de graça. São seis meses pra aprender a nova língua, com a possibilidade de morar num centro de absorção, onde o aluguel é muito mais barato do que na cidade.

O imigrante recebe também ajuda financeira, escola boa e de graça pras crianças, aposentadoria imediata pros idosos e um sistema de saúde pública de alto nível que pra um jovem custa o equivalente a R$ 60 por mês.

A comunidade brasileira em Israel ainda é pequena. Mas agora já tem até boteco com samba na periferia de Tel Aviv.

“Sabia que o Brasil estava em crise e tal e aí, de repente, comecei a ver uma grande quantidade de brasileiros que eu não tinha visto nunca aqui em Israel. Falei: ‘nossa, que bacana. Tá indo legal”, diz Yuval Yonayoff, dono do bar.

Está indo tão bem, que o Zé chegou de Curitiba há quatro meses e não para de assar pão de queijo.

“Eu dava aula de muay thai no Brasil, totalmente diferente do que eu faço aqui em Israel”, conta.

O problema do Zé é o mesmo de todo imigrante. Uma falta danada de quem ficou no Brasil.

“É difícil deixar uma filha. Tem três aninhos só. Mas com o salário que eu tenho, aqui eu posso ajudar ela muito mais do que eu estava ajudando no Brasil. Isso me deixa bastante feliz”, afirma.

Fonte: Jornal Nacional